Foto: Divulgação
A atriz Bárbara Borges no bloco Skol D+: alto-astral e sorriso no rosto

Viciadas no Carnaval de Salvador

Por Daniela Folloni e Monique dos Anjos (NOVA)

Ele entrou para o Livro dos Recordes como a maior manifestação de rua do planeta. Atrai mais de 2 milhões de foliões, como Ana Paula Lombardi, de 25 anos, que há quatro se diverte nas ruas de Salvador: "Jamais desembolsaria 800 reais para entrar numa balada, mas para estar no bloco vale a pena", conta a publicitária, que não vê graça em curtir a festa na pipoca (olhando da calçada, sem abadá). Ela chega a sair em até seis trios de sexta a terça-feira, pulando cerca de sete horas em cada um!

Já Paula Figueiredo, de 30 anos, viaja há oito para a Bahia. "Quando acaba um Carnaval, já começo a pagar passagens e hotel para o ano seguinte. Todos na empresa sabem que é o meu feriado. Sou capaz de perder o emprego, mas não deixo de ir", conta. E as foliãs se desprendem não só do dinheiro e do trabalho como do... namorado. É o caso de Carla, de 29 anos: "Em 2005, deixei meu amor, que não gosta de axé, em São Paulo e fui", conta. Gastar os tubos, arriscar o namoro, dançar por horas, enfrentar empurra-empurra... Por que esse Carnaval é tão contagiante e viciante? NOVA foi atrás do trio, ops, de respostas!

Como um videoclipe
O visual da orla com as ondas quebrando, o céu de fim de tarde em tons de laranja e vermelho e uma moçada do Brasil inteiro com sorriso no rosto na frente do Farol da Barra. Quem já foi a Salvador e assistiu à cena não tira da memória. "Dá arrepio só de me imaginar pronta para sair no Me Abraça, meu bloco do coração", fala Ana Paula. "Aliás, tudo na cidade arrepia: ver os caminhões de som se cruzarem na praça Castro Alves, assistir aos Filhos de Gandhi, pular na tradicional avenida Sete. Você vive tudo o que está nas letras cantadas nos trios", entrega.

Música & energia
Até quem não tem nenhum CD de axé se rende à festa, como a também publicitária Carolina Marsílio, de 27 anos. "Mesmo sem estar no clima, vesti meu abadá do Camaleão [bloco disputadíssimo da banda Chiclete com Banana] e fui para a guerra, como os baianos dizem. Enquanto descia a praça Castro Alves, o trio parou e o vocalista, Bel, conseguiu controlar milhares de pessoas apenas pedindo que curtissem o momento. Só na voz, sem instrumentos, ele começou "Então vem / Que eu conto os dias / Conto as horas pra te ver..." e a galera cantou junto. Fiquei anestesiada..."

A Capital da pegação
É fato: dentro dos blocos nem sobra tempo para a paquera propriamente dita. Lá é mirar, beijar e partir para o próximo. Senão você perde o moço de vista. Não que vá faltar oportunidade de escolher outro alvo! Afinal, tem balada até na madrugada da Quarta-Feira de Cinzas. Quando a designer Soraia, de 24 anos, veste seu abadá, não perde tempo. "Se o cara for gatinho, fico mesmo. Perco as contas de quantos beijei."

No tabuleiro dos baianos tem
Simpatia, tem. Alto-astral, tem. Alegria, tem. Toda viciada nesse tipo de Carnaval destaca tais qualidades no povo local. "Ele é receptivo por natureza, faz qualquer turista se sentir em casa", fala Durval, o carismático vocalista do grupo Asa de Águia. "Só mesmo com a energia da Bahia para pular seis horas seguidas e ainda querer mais no dia seguinte", completa a atriz Deborah Secco, que participou da festa em 2006, assim como o cantor Bono, do grupo U2. Ele, aliás, declarou que a Bahia guarda muitos mistérios a ser descobertos. Talvez por isso seja impossível explicar toda a magia da terra de Dodô e Osmar em palavras. Para entender mesmo, só indo até lá.