Há cerca de quatro anos, Thiago Lacerda, 31 anos, e a mulher, Vanessa Lóes, 37, realizaram dois sonhos de uma vez: compraram um sítio em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, e começaram a criar cães da raça africana ridgeback rhodesian. ''Sempre quis ter cachorro. Lembrei do rhodesian, que era ideal para levar para o sítio, e decidi iniciar o Canil Riad Ridge (www.riadridge. com.br). Primeiro vieram as cadelas Chara e Bossa, essa um presente de José Roberto Marinho, o patrão (risos)'', conta o ator.
Thiago recebeu CONTIGO! em seu sítio enquanto se divertia com uma ninhada de cães. Ele fala com orgulho sobre sua transformação com a paternidade, após a chegada de Gael, 2. ''Dei um tempo na minha ocupação principal, que é a TV, para poder me dedicar à gravidez da Vanessa e ao início da vida do Gael'', declarou o ator, que voltou à TV como o fotógrafo Bruno da novela Viver a Vida, da Globo, e concorre ao 3º Prêmio Contigo! de Teatro como Melhor Ator pela peça Calígula, que também disputa nas categorias Melhor Espetáculo Drama e Melhor Direção (Gabriel Villela).
De onde vem sua ligação com a natureza?
Quando criança, meu presente de aniversário era ir ao zoológico. Minha família é do interior de Minas. Quando adolescente, ia trabalhar com um tio veterinário, ajudava, assistia, gostava de acordar cedo e ir para a fazenda. Depois fui prestar vestibular, tive de optar e fiz economia na UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). Mas, até hoje, vou para Minas e trabalho com esse tio, que tem gado. Já o sítio serve pra curtir a natureza, os pássaros, os cães. A gente tem coelho, ganso, galinha... Ainda vou ter uma vaca (risos).
Nesses dois anos afastado de novelas, o que fez?
Fui pai e essa era uma decisão que vinha alimentando. Engravidei com a Vanessa. Fizemos um curso neonatal e eu ia a todas as aulas, fazia questão de ir às consultas, ultrassom, natação. Na ioga, tentava ir, mas... Ok, levava a Vanessa (risos). É que a ioga era só para grávidas.
Você é um privilegiado...
É um privilégio aos 30 anos poder tomar uma decisão dessa e conseguir cumprir. Também descansei, cuidei do sítio, da minha casa, fiz teatro e li coisas que não tinha tempo. E refleti sobre esses 11 anos de carreira que completei ano passado.
Depois desse envolvimento, você ficou um mês longe de casa, durante as gravações de Viver a Vida no Oriente Médio.
Essa foi a parte difícil. Fiquei com muita saudade. Mas sou muito racional, já sabia que ia rolar e vinha me preparando e ao Gael para isso. Só que deu 15 dias e, nossa!, ainda faltavam mais 15! Fiquei falando com ele e com a Vanessa pelo Skype, uma invenção dos deuses. Alivia um pouco, mas nada supera um abraço.
Gael cobra sua presença depois que voltou à TV?
Começou a cobrar, ''papai, brincar, senta aqui'', dá ordens, sabe que é ele quem manda (risos). Mas é um prazer parar e ficar só com ele. Aí ele joga os brinquedos, senta, levanta, até a hora em que canso. A relação da criança com a mãe é do primeiro momento para sempre. Daqui para a frente, é uma descoberta da paternidade por parte dele, de olhar pra mim e pensar ''para isso serve meu pai''. É maravilhoso, estou completamente apaixonado pelo Gael.
O que mudou em você depois de ser pai?
Sou um cara diferente depois do Gael. A cada decisão que tomo, lembro dele primeiro. Fiquei um pouco mais medroso, é muita responsabilidade. De tudo, o mais difícil é decidir o caminho para educar seu filho.
Como é o Thiago pai?
Deixo o Gael me dizer que tipo de pai posso ser, é uma troca. Estou aberto para ele e sou preocupado em deixar claro que não sou um superherói, que sou um cara que o ama e que não sou infalível. O Gael tem de saber que o pai dele comete erros e pode não saber a resposta de uma pergunta. Sou muito orgulhoso também, acho o Gael um barato de criança, generoso, feliz, luminoso, e ele já está na escolinha.
Como escolheram o nome?
A Vanessa estava grávida e eu gravando Eterna Magia na Irlanda, e o dialeto irlandês é o gaélico, celta. Até que me toquei do radical Gael. Tem o nome do ator (Gael García Bernal) que, na época, era a única pessoa que eu sabia que tinha esse nome. Achei muito bonito, e nós procurávamos um nome celta. Não tomamos nenhuma decisão antes de vê-lo, ele ficou uns 15 dias sem nome. A gente o chamava de tudo (risos).
Agora quer ter uma menina?
Temos vontade de ter outro, mas essa coisa de menino, menina... Descobri com o Gael que queria muito ter um filho. Agora que já tenho, se vier outro menino, será maravilhoso, porque é a minha galera. E se vier um casal, está tudo certo. A questão é que, se vier outro menino, teremos de ir atrás dela (risos).
Depois do Gael, dá tempo para vocês namorarem?
Tempo a gente arruma. Quando vamos viajar, ou o deixamos com alguém ou o levamos junto, mas, no fim tudo dá certo. Não tem tabu de não namorar por causa do filho. Se não namora mais, é porque não está a fim.
Qual o segredo de vocês para manter um relacionamento por oito anos?
Não tem segredo, é levar as coisas de um jeito maduro e não perder o foco de que o principal é ser feliz.
Você cozinha para a Vanessa?
Vou para a cozinha quando quero. Algumas coisas até faço bem, mas não é uma rotina. Cozinho para a Vanessa, para alguns amigos, a gente abre um vinho. Faço peixe, massa, sou um cozinheiro de conveniência, porque precisei aprender quando morei sozinho, mas aprendi a fazer bem. Faço tudo no olho, na intuição, a receita é mais um norte. Mas não sou daqueles que ficam um fim de semana descobrindo um prato.
E nas tarefas domésticas?
Lavo prato, se precisar. Varro a casa, limpo o cocô dos gatos, molho as plantas, ajudo a manter a piscina, enfim, essas coisas que gosto de fazer em casa, mas não tenho obrigação, até porque tem alguém que ajuda.
Tem cuidado da boa forma?
Voltei a nadar há um mês. Era velocista, nadava os 50 e 100 metros livres. Resolvi voltar em parceria com a Vanessa. Tento me cuidar com alimentação, mas hoje não sou radical, ao contrário, me mantenho balanceado. Faço as minhas concessões quando tenho vontade de uma pizza, uma cerveja com os amigos. O que me mantém mesmo é o bem-estar com o esporte, natação, futebol, corrida na praia, andar de bicicleta. Tenho uma vontade grande de aprender a surfar e quero voltar a jogar vôlei.
É difícil ser galã?
Não. Nunca me senti culpado por ser elogiado. Não tenho nenhum problema com a beleza estética. A beleza, por definição, é uma coisa positiva. Não saio de casa pra ver um filme ruim, não entro num museu para ver um quadro feio, não escuto uma música horrorosa.
É vaidoso, então?
Gosto de me sentir bem. Para isso, preciso de pouco, preciso ter condição de fazer meu esporte, de me alimentar bem, de cortar meu cabelo... Estou para cortar há tanto tempo... Minha vaidade é muito restrita a meus personagens. Se precisar emagrecer, emagreço, se precisar deixar a barba, deixo, tirar, eu tiro, cortar ou raspar o cabelo, eu faço. Não tenho restrição de vaidade para contar minhas histórias. Lavo o cabelo com o xampu que tiver e, se não tiver, passo sabonete.
Teve a crise dos 30 anos?
Lido muito bem com o tempo. Aliás, gosto muito da ideia de envelhecer de uma forma saudável, trabalhando com o que gosto, com minha família por perto. Acho que não tive crise aos 30 nem terei aos 40 e dificilmente aos 50. Faço questão de cada uma das minhas rugas. Cada ano é uma conquista, sou mais legal hoje do que há dez anos, o tempo pra mim não é um problema.
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