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Caruaru

Com a alma de menino



Foto: Leo Marinho


Por Gisele Cassus

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Na madrugada do Dia de São João, Gilberto Gil se apresentou no palco principal do Parque de Eventos Luiz Gonzaga, no centro de Caruaru, em Pernambuco. No caminho para o pátio, Gil relembrou seus tempos de criança ao avistar nas portas das casas as fogueiras, uma das tradições no Nordeste na véspera do dia 24 de junho. “A alma do menino vem à boca. São João era a noite mais esperada do ano quando eu era criança, no sertão da Bahia. Sinto grande emoção ao ver as fogueirinhas, as famílias reunidas, as crianças soltando as estrelinhas, cantando as cantigas de roda”, disse ele, que comemorou 67 anos na sexta-feira (26). Gil entrou em cena à 0h30, com a banda São João Vivo. “Neste ano, tive a felicidade de receber esse convite. Não estavam programadas apresentações juninas. Então, refiz a banda São João Vivo, com a qual, há nove anos, eu me apresentei e gravei CD e DVD. Ensaiei, fiz Salvador, Araripina e encerro aqui”, explicou o músico, que se divertiu arriscando uns passos no palco. Entre as músicas cantadas por ele estavam Xote das Meninas, Eu Só Quero um Xodó e Esperando na Janela.

Neste ano, o São João de Caruaru comemora os 100 anos de seu filho mais ilustre, Mestre Vitalino (1909-1963). Uma exposição, no centro da cidade, é dedicada ao maior escultor em barro do Nordeste, que chegou a ter seus trabalhos expostos no Museu do Louvre, em Paris. Sua obra tem a temática do sertão pernambucano, retratando cangaceiros, bois e trabalhadores. Hoje, os filhos e netos de Vitalino Pereira dos Santos dão continuidade a sua arte, no Alto do Moura, bairro onde ele viveu em Caruaru e onde foi inaugurada, em 1971, a Casa Museu Mestre Vitalino.

Entre os quitutes mais procurados na festa estão a tapioca e o milho cozido. Barraquinhas espalhadas pela cidade oferecem tapiocas de diversos sabores, doces e salgados. A buchada de bode, feita com as vísceras do animal, tradicional prato nordestino, é também muito comum nos restaurantes da cidade, especialmente no Alto do Moura, bairro turístico.

No palco principal do Alto do Moura, apresentam-se trios de forró. Na frente do palco, quadrilhas de diversos municípios de Pernambuco mostram suas danças. Na tarde de terça-feira (23), um grupo de samba de coco de Glória do Goitá chamou atenção. “Estamos juntos há vinte anos”, contou Roseana Dinha, 35, uma das dançarinas. No samba de coco – ritmo com influências indígenas nascido nas senzalas e nos quilombos do sertão pernambucano –, os casais dançam em roda, ao som de canções marcadas pela oralidade.

 

Há oito anos, o professor de educação física André Carlos, 30, organiza a festa O Maior Cozido de Milho do Mundo, na comunidade de Santa Rosa. André gasta 24 horas para cozinhar 2.500 espigas de milho, em um caldeirão com mil litros de água, que fica no meio da rua Capitão Dé. Ao longo do São João, que começou em 30 de maio e vai até 10 de julho, também foram confeccionados, em diversos pontos da cidade, o Maior Chocolate Quente, a Maior Pipoca, a Maior Pamonha, o Maior Cuscuz, o Maior Pé de Moleque, o Maior Arroz-Doce, a Maior Canjica, o Maior Quentão, entre outras comidas.

Com 64 componentes, a quadrilha Brilhar Matriz, de Matriz de Camaragibe, em Alagoas, fez uma linda apresentação no Polo das Quadrilhas, na noite de domingo (21), no centro, com o tema Brincar de Ser Criança. O grupo participa do 14º Festival de Quadrilha Estilizada de Caruaru, que premia todo ano a melhor quadrilha, observando os quesitos música, marcador, desempenho, coreografia, caracterização e figurino. Neste ano, o primeiro lugar levaria 2 mil reais.


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